Exportação para África do Sul revela diferença absurda de preços
Mondlane apresentou uma fatura detalhada de uma venda de 600 sacos de cimento exportados de Moçambique para a África do Sul, especificamente para Joanesburgo. Segundo os dados, cada saco foi vendido na fábrica por ZAR 53 (rands sul-africanos). Considerando a taxa de câmbio do dia (ZAR 1 = MZN 3,50), o custo unitário na fábrica foi de MZN 182.
O transporte desses sacos de Maputo até Joanesburgo, cobrindo uma distância de aproximadamente 600 km, custou ZAR 15 por unidade, equivalente a MZN 52. Assim, o custo total do cimento ao chegar à África do Sul foi de MZN 233 por saco.
Mesmo com esse preço, o cimento é revendido nas lojas de Joanesburgo a MZN 300, garantindo um lucro de MZN 67 para os revendedores sul-africanos.
Moçambique paga muito mais pelo próprio cimento
A grande contradição apontada por Mondlane está no fato de que, dentro de Moçambique, o mesmo cimento chega a custar entre MZN 400 e MZN 600 – valores muito superiores ao praticado na África do Sul, mesmo considerando os custos de transporte e revenda.
"Se um retalhista sul-africano consegue vender um saco de cimento por MZN 300, após percorrer 600 km e ainda obter um lucro de MZN 67, como é possível que dentro de Moçambique, onde não há custos adicionais de exportação ou transporte internacional, o mesmo produto custe até MZN 600?" questiona Mondlane.
Segundo seus cálculos, se Moçambique aplicasse a mesma lógica de preços praticada na exportação, seria possível vender cada saco de cimento por MZN 270 ou MZN 280, mantendo ainda um lucro justo para os revendedores.
"Lucros abusivos às custas do cidadão"
Mondlane denuncia que há um monopólio na comercialização do cimento dentro do país, permitindo que algumas empresas imponham preços muito acima do razoável. "O lucro de um revendedor em Joanesburgo é de cerca de 30%, enquanto em Moçambique alguns intermediários querem margens de 100%, 200% ou até 300%, prejudicando diretamente o consumidor final", afirmou.
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Diante disso, ele reafirma sua proposta de fixação do preço do cimento em MZN 300, garantindo um equilíbrio entre custos e lucros, além de tornar o produto mais acessível para a população moçambicana. "Não podemos aceitar que um país que produz cimento pague mais caro do que quem o importa", concluiu.
Redação: Índico Magazine |Siga o canal 🌐 Índico Magazine 🗞️📰🇲🇿 no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VafrN6E8aKvAYGh38O2p