A crise política e econômica no Zimbábue se intensifica diante dos esforços do partido governante, ZANU-PF, para estender o mandato do presidente Emmerson Mnangagwa além do limite constitucional, que permite apenas dois mandatos de cinco anos. A proposta de prolongar seu governo até 2030 tem gerado onda de protestos e divisões internas, inclusive dentro do próprio partido.
Veteranos da guerra de independência, liderados por Blessed Geza (conhecido como Comrade Bombshell), organizaram manifestações exigindo a renúncia de Mnangagwa, acusando-o de agravamento da crise econômica e de tentar se perpetuar no poder de forma inconstitucional. No entanto, os protestos não tiveram grande adesão popular, possivelmente devido ao medo de repressão e ao ceticismo da população em relação às disputas internas do ZANU-PF, vistas como uma luta pelo poder sem benefícios reais para o país.
A tensão política também se reflete no enfraquecimento da base de apoio de Mnangagwa. Seu ex-aliado, o vice-presidente Constantino Chiwenga — peça-chave no golpe que derrubou Robert Mugabe em 2017 —, está agora associado a facções dissidentes dentro do partido. Recentemente, Mnangagwa demitiu o chefe do exército, Anselem Sanyatwe, em uma clara tentativa de eliminar rivais e consolidar seu poder.
Enquanto a elite política se divide, a população enfrenta inflação galopante, desemprego e escassez de produtos básicos, aumentando a insatisfação geral. Apesar disso, muitos zimbabuanos ainda hesitam em protestar abertamente, temendo a violência estatal.
O cenário atual revela um Zimbábue à beira de uma nova instabilidade, onde a disputa pelo poder no ZANU-PF pode definir não apenas o futuro do governo Mnangagwa, mas também o destino de um país já marcado por décadas de crise econômica e autoritarismo.
Redação: Índico Magazine ||
Fonte: AP News & Reuters|| Siga o canal 🌐 Índico Magazine 🗞️📰🇲🇿 no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VafrN6E8aKvAYGh38O2p