O partido PODEMOS, que emergiu como a principal força de oposição em Moçambique após as eleições legislativas de 2024, enfrenta um problema inédito na história da democracia multipartidária do país: não consegue localizar dois dos seus deputados eleitos.
Faizal Anselmo Gabriel e António Pedrito Faruma, eleitos pelos círculos eleitorais de Maputo e Tete, respetivamente, não compareceram à cerimônia de tomada de posse realizada a 13 de janeiro deste ano. Desde então, o partido alega que ambos estão "em parte incerta" devido às manifestações que marcaram o período pós-eleitoral. No entanto, informações obtidas pelo jornal Evidências indicam que a verdadeira razão para o seu desaparecimento pode estar na forma como o partido compôs as suas listas de candidatos.
Candidatos escolhidos aleatoriamente
Antes de se aliar à candidatura presidencial de Venâncio Mondlane, o PODEMOS era considerado um partido sem grandes hipóteses de eleger deputados. Para cumprir os requisitos legais impostos pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), o partido preencheu as suas listas de candidatos de forma aleatória, incluindo cidadãos anônimos abordados em mercados e ruas. Muitos desses indivíduos, segundo fontes, sequer sabiam que os seus nomes estavam a ser usados para concorrer a cargos parlamentares.
Com o crescimento da popularidade do partido após a aliança com Mondlane, o PODEMOS conseguiu eleger 41 deputados para a Assembleia da República e várias cadeiras nas assembleias provinciais. No entanto, a dificuldade em localizar alguns dos eleitos levantou questões sobre a credibilidade da composição das listas apresentadas.
Substituição e repercussões
Diante da ausência prolongada de Faizal Gabriel e António Faruma, a Assembleia da República considerou que ambos desistiram do mandato. Com base no Estatuto do Deputado, foram substituídos por Azarias Muianga e Ananias Matisse, indicados pelo próprio partido.
Apesar da substituição formal, o caso gerou controvérsia e críticas sobre a forma como os partidos extraparlamentares estruturam as suas candidaturas. De acordo com analistas políticos, esta situação demonstra que, em muitos casos, pequenas formações políticas participam das eleições apenas para receber o financiamento público destinado às campanhas eleitorais, sem uma verdadeira estratégia para atuar no Parlamento.
O porta-voz do PODEMOS, Duclésio Chico, minimizou a polêmica, afirmando que o partido está focado em cumprir a sua agenda política e que a substituição dos deputados ocorreu dentro das normas legais.
A situação expõe fragilidades no sistema eleitoral moçambicano, especialmente no que diz respeito à transparência na seleção de candidatos e ao real comprometimento dos partidos com o mandato parlamentar. Enquanto isso, os dois deputados desaparecidos permanecem sem paradeiro conhecido, deixando dúvidas sobre se realmente tinham intenção de assumir os seus cargos.
Redação: Índico Magazine ||
Fonte: Jornal Evidências|| Siga o canal 🌐 Índico Magazine 🗞️📰🇲🇿 no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VafrN6E8aKvAYGh38O2p