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“Portugal ignorou violações em Moçambique para salvaguardar “relação confortável” com a Frelimo” – Stewart Sukuma


O músico moçambicano Stewart Sukuma criticou a comunidade internacional, especialmente Portugal, pela sua postura face às alegadas violações de direitos humanos ocorridas durante o processo eleitoral em Moçambique. Em entrevista à Lusa, Sukuma afirmou que Portugal evitou intervir para não comprometer a sua relação histórica e confortável com a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), o partido no poder. Ele ressaltou que, desde o início do registo de eleitores, o processo eleitoral foi marcado por irregularidades que foram ignoradas pela comunidade internacional, adotando uma postura diferente em relação a outros países. Sukuma enfatizou que, embora seja importante respeitar a soberania dos Estados, é inadmissível ignorar a proteção dos direitos humanos, que, segundo ele, foram constantemente violados durante a crise pós-eleitoral em Moçambique.

Desde outubro, Moçambique tem sido palco de manifestações e paralisações lideradas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que não reconhece os resultados das eleições de 9 de outubro, que declararam Daniel Chapo como vencedor. De acordo com a Plataforma Decide, uma organização da sociedade civil moçambicana, pelo menos 353 pessoas morreram em confrontos entre manifestantes e a polícia desde o início dos protestos. O governo moçambicano confirmou pelo menos 80 mortes e relatou a destruição de 1.677 estabelecimentos comerciais, 177 escolas e 23 unidades de saúde durante as manifestações.

A 5 de março, a polícia moçambicana disparou contra apoiantes de Mondlane em Maputo, ferindo um manifestante durante uma marcha de protesto. Os manifestantes reuniram-se antes de Chapo assinar um acordo com alguns partidos políticos para encerrar meses de protestos devido à sua controversa vitória eleitoral. Mondlane, excluído das negociações, afirmou que continuará a protestar contra o governo. 

Durante a sua tomada de posse em janeiro, Chapo reconheceu a importância da harmonia social e prometeu dialogar e implementar reformas para acabar com a instabilidade. No entanto, Mondlane continua a desafiar a integridade das eleições e a liderar protestos que têm afetado significativamente empresas estrangeiras e o comércio transfronteiriço no país. 

Stewart Sukuma, nascido em 1963 em Cuamba, província do Niassa, é uma figura proeminente na música moçambicana. Conhecido artisticamente como Stewart Sukuma, nome que significa "Levantar" em Zulu e "Empurrar" em Suaíli, ele combina a música tradicional moçambicana, especialmente a marrabenta, com estilos contemporâneos, criando um som enérgico que mistura afro, pop e jazz. Ao longo de sua carreira, participou de diversos projetos e bandas, como a Orquestra Marrabenta Star, Alambique e Mbila, conquistando vários prémios nacionais e internacionais. Em 1998, mudou-se para Boston, onde ingressou na prestigiada Berklee College of Music. Entre os seus álbuns destacam-se "Afrikiti", "Nkuvu", "Boleia Africana" e "O meu lado B".

Redação: Índico Magazine || Fonte: Lusa| Siga o canal 🌐 Índico Magazine 🗞️📰🇲🇿 no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VafrN6E8aKvAYGh38O2p