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Mateus Saize, Ministro da Justiça, nomeado pelo presidente da república Daniel Chapo. |
O Ministro da Justiça, Mateus Saize, rejeitou a casa protocolar utilizada pelos seus antecessores, alegando que o imóvel era “pequeno para a sua grande família”, e exigiu uma residência mais luxuosa, avaliada em 39 milhões de meticais (cerca de 605 mil dólares, pela cotação atual).
A nova casa, adquirida pelo Cofre Geral dos Registos e Notariado, custou quase o dobro do valor da anterior, que havia sido comprada por 24 milhões de meticais (aproximadamente 372 mil dólares). A justificativa para a troca foi o conforto da família do ministro, em um momento em que professores, médicos e outros funcionários públicos enfrentam atrasos nos pagamentos de salários e horas extras.
Enquanto o ministro desfruta de um imóvel de alto padrão, professores e profissionais de saúde continuam a protestar contra os constantes atrasos nos seus vencimentos. Muitos reclamam que as horas extraordinárias não são pagas há meses, e alguns chegam a trabalhar em condições precárias, sem recursos básicos.
- A Associação Nacional dos Professores (ANAPRO) já alertou que os atrasos salariais estão a desmotivar a categoria, prejudicando a educação no país.
- Médicos e enfermeiros enfrentam situações semelhantes, com relatos de profissionais a trabalhar sem equipamentos adequados em hospitais superlotados e ameaçam entrar novamente em greve.
A decisão do ministro gerou indignação nas redes sociais e entre organizações da sociedade civil.
- Adriano Nuvunga, diretor do Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD), classificou o gasto como “um escândalo em um país onde a maioria vive na pobreza”.
- Activistas questionam por que o Cofre Geral dos Registos e Notariado, que deveria zelar por recursos públicos, está a financiar luxos para altos funcionários, enquanto serviços essenciais sofrem com a falta de verbas.
Até agora, o Ministério da Justiça não se pronunciou oficialmente sobre o caso. No entanto, fontes próximas ao gabinete do ministro afirmam que a mudança de residência segue protocolos estabelecidos para autoridades do seu escalão.
Analistas políticos argumentam que este caso reflecte um padrão de má gestão de recursos em Moçambique, onde altos funcionários vivem em privilégio, enquanto a população enfrenta dificuldades económicas e cortes nos serviços básicos.
Moçambique continua a enfrentar crises económicas, com elevada dívida pública e cortes em programas sociais. A corrupção e os gastos excessivos do governo são apontados como alguns dos principais obstáculos ao desenvolvimento do país.
Redação: Índico Magazine ||
Fonte: Jornal Evidências (01 de Abril de 2025)|
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